<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" version="2.0" xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd" xmlns:googleplay="http://www.google.com/schemas/play-podcasts/1.0"><channel><title><![CDATA[Corporativos Anônimos]]></title><description><![CDATA[Crônicas sobre o mundo corporativo.]]></description><link>https://www.corporativosanonimos.com.br</link><image><url>https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!FhN7!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F12328261-9429-4bc3-933b-84c0923a05c1_1024x1024.png</url><title>Corporativos Anônimos</title><link>https://www.corporativosanonimos.com.br</link></image><generator>Substack</generator><lastBuildDate>Fri, 10 Apr 2026 09:47:09 GMT</lastBuildDate><atom:link href="https://www.corporativosanonimos.com.br/feed" rel="self" type="application/rss+xml"/><copyright><![CDATA[Corporativos Anônimos]]></copyright><language><![CDATA[pt]]></language><webMaster><![CDATA[corporativosanonimos@substack.com]]></webMaster><itunes:owner><itunes:email><![CDATA[corporativosanonimos@substack.com]]></itunes:email><itunes:name><![CDATA[Corporativos Anônimos]]></itunes:name></itunes:owner><itunes:author><![CDATA[Corporativos Anônimos]]></itunes:author><googleplay:owner><![CDATA[corporativosanonimos@substack.com]]></googleplay:owner><googleplay:email><![CDATA[corporativosanonimos@substack.com]]></googleplay:email><googleplay:author><![CDATA[Corporativos Anônimos]]></googleplay:author><itunes:block><![CDATA[Yes]]></itunes:block><item><title><![CDATA[Sala de Descompressão]]></title><description><![CDATA[Dizem que, nos escrit&#243;rios descolados, mesas de pingue-pongue e videogames s&#227;o obrigat&#243;rios.]]></description><link>https://www.corporativosanonimos.com.br/p/sala-de-descompressao</link><guid isPermaLink="false">https://www.corporativosanonimos.com.br/p/sala-de-descompressao</guid><dc:creator><![CDATA[Corporativos Anônimos]]></dc:creator><pubDate>Fri, 28 Nov 2025 12:56:53 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!FhN7!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F12328261-9429-4bc3-933b-84c0923a05c1_1024x1024.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Dizem que, nos escrit&#243;rios descolados, mesas de pingue-pongue e videogames s&#227;o obrigat&#243;rios. L&#225; na firma o pessoal prefere o online, mas se for para voltar, que seja com uma salinha de jogos. N&#227;o rolou, somos tradicionais dizem nossos acionistas. Acho que tamb&#233;m sou, por isso atraio esses escrit&#243;rios sem glamour.</p><p>Ainda assim, pude testemunhar alguns lampejos de modernidade. O Waltinho, companheiro de um passado recente, tentou trazer algumas inova&#231;&#245;es no escrit&#243;rio em que trabalh&#225;vamos. &#8220;O trabalho do facilities n&#227;o &#233; f&#225;cil e &#233; sempre mal compreendido&#8221;, dizia ele. Reclamava que s&#243; lembravam dele quando o ar-condicionado n&#227;o funcionava ou era dia de teste do alarme de inc&#234;ndio &#8212; que obrigava todos a descerem 22 andares pela escada. Por&#233;m, nesta era p&#243;s-pandemia, era ele o respons&#225;vel por tornar o escrit&#243;rio mais palat&#225;vel.</p><p>Waltinho ent&#227;o teve uma ideia. Lan&#231;ou uma sala de descompress&#227;o. Nada com mesas de pingue-pongue ou caf&#233; gourmet, mas um local cheio de sof&#225;s e tapetes para medita&#231;&#227;o ou ioga. A ideia era que o pessoal pudesse ler um livro, meditar ou fazer uma breve soneca p&#243;s-almo&#231;o. Por&#233;m, a vida sempre se encarrega de mudar os combinados. A sala de descompress&#227;o virou, literalmente, uma sala de press&#227;o.</p><p>A volta aos escrit&#243;rios foi mal planejada. N&#227;o havia lugar para todos, pois os andares devolvidos durante a pandemia cobraram seu pre&#231;o. Se uma baia era artigo disputado, as salas de reuni&#227;o eram mais raras ainda. A sala de descompress&#227;o rapidamente se tornou o que o pessoal chamou de &#8220;one a one&#8221;. Usavam-na para reuni&#245;es entre duas pessoas, em especial para feedbacks. Tamb&#233;m foi utilizada para algumas demiss&#245;es, o que rendeu o apelido de sala caveir&#227;o.</p><p>A sala caveir&#227;o passou a ser temida. Numa &#250;ltima tentativa de recuperar o intento original, Waltinho contratou um professor de medita&#231;&#227;o e uma instrutora de ioga. Funcionou por um tempo, com alguns entusiastas. A sala recuperou sua credibilidade. Por&#233;m, o final do ano trouxe o corte de or&#231;amento, e as aulas foram as primeiras v&#237;timas do corte. Waltinho ent&#227;o chamou o professor e a instrutora para a sala caveir&#227;o e deu o recado: estavam demitidos.</p><p></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.corporativosanonimos.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! Subscri&#231;&#227;o gratuita para receber novos posts e apoiar o meu trabalho.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Exame Médico]]></title><description><![CDATA[Desde a entrada numa empresa, e o ato final, a passagem por um m&#233;dico do trabalho &#233; obrigat&#243;ria.]]></description><link>https://www.corporativosanonimos.com.br/p/exame-medico</link><guid isPermaLink="false">https://www.corporativosanonimos.com.br/p/exame-medico</guid><dc:creator><![CDATA[Corporativos Anônimos]]></dc:creator><pubDate>Wed, 12 Nov 2025 14:20:07 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!FhN7!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F12328261-9429-4bc3-933b-84c0923a05c1_1024x1024.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Desde a entrada numa empresa, e o ato final, a passagem por um m&#233;dico do trabalho &#233; obrigat&#243;ria. Pelo menos nos contratos formais. Pois Paulo era daqueles m&#233;dicos tradicionais, mais de trinta anos atendendo os diversos colaboradores tanto na entrada e sa&#237;da, quanto nos exames anuais. Estava num corredor qualquer quando fui interpelado pelo Danilo, estagi&#225;rio rec&#233;m contratado:</p><p>- Estou preocupado, sa&#237; do exame meio assustado.</p><p>- Que foi Danilo?</p><p>- Guarda segredo?</p><p>- Claro!</p><p>- Dr Paulo falou que estou com verme e me receitou uma medica&#231;&#227;o.</p><p>Pobre Danilo. Mal sabia ele que Doutor Paulo enxergava vermes em todo mundo. Falta de disposi&#231;&#227;o? Vermes. Dor de Cabe&#231;a? N&#225;usea? Problemas para dormir? Sempre um vermifugo para resolver todos os seus problemas. Quase um biot&#244;nico fontoura que servia para qualquer crian&#231;a que n&#227;o comia br&#243;colis - ser&#225; que ainda usam biot&#244;mico Fontoura? Bom, fato &#233; que ningu&#233;m levava a s&#233;rio a receita e apenas cumpriam com aquela etapa da avalia&#231;&#227;o anual ou durante uma contrata&#231;&#227;o e demiss&#227;o.</p><p>Dias mais tarde daquele bate papo, fiquei sabendo que Danilo foi internado. Coisa bastante s&#233;ria. Parece que ele era al&#233;rgico ao medicamento e teve uma rea&#231;&#227;o na pele bastante forte. Todos se perguntavam porque diabos ele tomou o tal rem&#233;dio. A m&#227;e dele explicou para o RH que ele ficou impressionado com a possibilidade de ter parasitas. </p><p>A situa&#231;&#227;o do Dr Paulo ficou insustent&#225;vel. Ele argumentou que em todos aqueles anos n&#227;o havia um caso parecido, uma fatalidade. Ent&#227;o o Diretor de RH trouxe a dura realidade para ele: ningu&#233;m levava aquele diagn&#243;stico a s&#233;rio. Aquilo foi demais para o homem, que acabou saindo pela porta dos fundos organizacional. O jur&#237;dico ainda deixou claro que n&#227;o o defenderia caso Danilo o processasse. Que ele se virasse.</p><p>Contrataram uma nova empresa, desta vez com servi&#231;o terceirizado. Nos primeiros meses eles resolveram levar a s&#233;rio as consultas. Algumas pessoas deixaram de ser contratadas, reprovadas no exame. Outras demiss&#245;es foram revistas. Mas o preocupante mesmo foi o checkup anual. Explodiram os casos de hipertens&#227;o, diabetes e afins. </p><p>A empresa se viu obrigada a fazer campanhas de est&#237;mulo &#224; exerc&#237;cio f&#237;sico e boa alimenta&#231;&#227;o. Mas depois de alguns meses a coisa se ajeitou novamente. O aparelho de press&#227;o sumiu, os m&#233;dicos terceirizados foram trocados, as perguntas do question&#225;rio abrandadas. Ningu&#233;m mais tinha parasitas, mas tudo estava de volta ao normal.</p><p></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.corporativosanonimos.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! Subscri&#231;&#227;o gratuita para receber novos posts e apoiar o meu trabalho.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Um Cara Legal]]></title><description><![CDATA[Encontrar amizades verdadeiras nos ambientes organizacionais &#233; um desafio.]]></description><link>https://www.corporativosanonimos.com.br/p/um-cara-legal</link><guid isPermaLink="false">https://www.corporativosanonimos.com.br/p/um-cara-legal</guid><dc:creator><![CDATA[Corporativos Anônimos]]></dc:creator><pubDate>Tue, 04 Nov 2025 12:54:17 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!FhN7!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F12328261-9429-4bc3-933b-84c0923a05c1_1024x1024.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Encontrar amizades verdadeiras nos ambientes organizacionais &#233; um desafio. Muitos dizem que sequer &#233; necess&#225;rio. Outros, que somos pessoas e que &#233; imposs&#237;vel separar o profissional do pessoal. Altair era destes. Gerente de uma divis&#227;o, adorava um almo&#231;o de sexta-feira com a equipe e aquela conversa longa do caf&#233;. Dizem que at&#233; emprestava dinheiro sem cobrar, mas acho que era maldade do pessoal.</p><p>J&#225; a Agatha, par dele, era outro caso. Profissional competente, trilhou seu caminho at&#233; a ger&#234;ncia da divis&#227;o com muito esfor&#231;o e profissionalismo. Fazia uma gest&#227;o que poder&#237;amos classificar como t&#233;cnica. Sabia-se que era casada, nada mais. Sem muitos sorrisos, o pessoal estranhava a dist&#226;ncia dos pormenores da vida alheia. E o maior pecado capital: o bom-dia que ela teimava em ignorar.</p><p>Como o esperado, os corredores corporativos puniam. O apelido mais carinhoso para Agatha era &#8220;megera&#8221;. Isso parecia n&#227;o incomodar, os resultados eram entregues. Altair era louvado, gabaritava na nota da pesquisa de clima anual. Todos chamavam sua &#225;rea de refer&#234;ncia. Algumas pessoas comentavam que esse era o &#250;nico indicador positivo da &#225;rea dele. Achava isso pura maldade...</p><p>Semestres e mais semestres se passaram &#8212; afinal, era daquelas empresas que parecem alheias &#224; passagem do tempo &#8212; e a percep&#231;&#227;o de que Altair era o chefe perfeito e Agatha, a tirana, se aprofundou. Dizem que, em uma reuni&#227;o de final de ano, Agatha chorou. N&#227;o estava l&#225; e n&#227;o acredito. Mas Altair foi parar no compliance, isso eu sei. Uma funcion&#225;ria, mal-intencionada ao que parece, entendeu mal um convite qualquer e o acusou de ass&#233;dio. Caso prontamente abafado.</p><p>Mas, ainda que o cen&#225;rio fosse de perman&#234;ncia, o tempo cobra. O diretor da &#225;rea anunciou a aposentadoria e que promoveria um dos gerentes de divis&#227;o. O clima na empresa era a certeza de que Altair seria o substituto, pois at&#233; o diretor era amigo pessoal dele. Pois, para surpresa geral, o presidente da empresa exigiu a promo&#231;&#227;o de Agatha. Disse que eram novos tempos, precisava de algu&#233;m que entregasse o que precisasse ser feito, sem hesitar. Ao assumir, Agatha chamou toda a equipe e chorou ao relembrar a trajet&#243;ria dela e de Altair, lembrou da paci&#234;ncia dele ao ensinar tudo que ela sabia sobre o neg&#243;cio. Agradeceu o quanto ele era importante na vida dela, na equipe, e como admirava o ser humano que ele era. Logo ap&#243;s a reuni&#227;o ampliada, o chamou para um particular e mandou Altair embora.</p><p></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.corporativosanonimos.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! Subscri&#231;&#227;o gratuita para receber novos posts e apoiar o meu trabalho.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Boia-fria]]></title><description><![CDATA[A intelig&#234;ncia pr&#225;tica de Bianca sempre me surpreendeu.]]></description><link>https://www.corporativosanonimos.com.br/p/boia-fria</link><guid isPermaLink="false">https://www.corporativosanonimos.com.br/p/boia-fria</guid><dc:creator><![CDATA[Corporativos Anônimos]]></dc:creator><pubDate>Sun, 28 Sep 2025 11:42:47 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!FhN7!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F12328261-9429-4bc3-933b-84c0923a05c1_1024x1024.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>A intelig&#234;ncia pr&#225;tica de Bianca sempre me surpreendeu. Os talentos organizacionais oriundos das melhores escolas s&#227;o quase previs&#237;veis &#8212; v&#237;timados pelas melhores pr&#225;ticas corporativas. Por&#233;m, sempre h&#225; espa&#231;o para o improviso, em especial naquela cadeira de assistente executiva.</p><p>Viagens aparentemente simples exigiam mais do que a log&#237;stica de alguns produtos. Inscri&#231;&#245;es em eventos, palestras que os executivos participavam, reuni&#245;es com autoridades, coffee breaks internacionais &#8212; e l&#225; estava Bianca improvisando e resolvendo v&#225;rios problemas in&#233;ditos com uma desenvoltura incr&#237;vel.</p><p>A depend&#234;ncia do CEO em rela&#231;&#227;o a Bianca chegou a tal ponto que, certo s&#225;bado, ele foi fazer um ser&#227;o na empresa e sequer conseguiu abrir a porta do pr&#243;prio escrit&#243;rio. Al&#233;m disso, era daqueles que n&#227;o lia e-mails: Bianca fazia a triagem de quais ele deveria responder. Some-se a isso o controle da agenda, e Bianca estava sentada na cadeira mais influente da empresa.</p><p>O que todos sabiam, e por isso Bianca reverenciada como um Xeique &#225;rabe organizacional. Pela rotina absolutamente atarefada, ela n&#227;o gostava de sair para almo&#231;ar. O tempo de deslocamento at&#233; um self-service lotado &#8212; onde era preciso lutar por comida e espa&#231;o &#8212; era precioso demais. Preferia fazer as refei&#231;&#245;es na cozinha do andar, acompanhada pelo pessoal do frango com salada ou daqueles que gostavam de gastar o vale no supermercado.</p><p>Sem agendar, o Diretor de Facilities a chamou para conversar. Aparentemente nervoso, mas convicto, anunciou que a cozinha seria desativada para almo&#231;os. O aroma das til&#225;pias e dos salm&#245;es, que invadiam o andar dos C-Levels, levou o pessoal a alinhar com o pr&#243;prio CEO e encarar Bianca. Mas ela n&#227;o cedeu. Se o problema era esse, que desativassem os micro-ondas, mas n&#227;o impedissem o almo&#231;o na cozinha. Viraria boia-fria sem problemas e continuaria com sua marmitinha.</p><p></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.corporativosanonimos.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! Subscri&#231;&#227;o gratuita para receber novos posts e apoiar o meu trabalho.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[A Mentira]]></title><description><![CDATA[Independente do tamanho da sua perna, a mentira no mundo corporativo n&#227;o &#233; recomend&#225;vel.]]></description><link>https://www.corporativosanonimos.com.br/p/a-mentira</link><guid isPermaLink="false">https://www.corporativosanonimos.com.br/p/a-mentira</guid><dc:creator><![CDATA[Corporativos Anônimos]]></dc:creator><pubDate>Sun, 21 Sep 2025 21:19:58 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!FhN7!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F12328261-9429-4bc3-933b-84c0923a05c1_1024x1024.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Independente do tamanho da sua perna, a mentira no mundo corporativo n&#227;o &#233; recomend&#225;vel. Por motivos &#243;bvios, mentiras graves n&#227;o devem nem ser cogitadas. Viram fraudes, demiss&#245;es por justa causa, processos dos mais diversos, clientes revoltados. Enfim, concordamos que mentiras empresariais s&#227;o bastante problem&#225;ticas. Ainda no &#226;mbito das empresas, estamos nos relacionando o tempo todo com colegas. E a&#237;, ainda que no ambiente profissional, estamos falando de gente.</p><p>A verdade crua tamb&#233;m &#233; cruel em muitos casos. Vit&#243;ria era a rainha das grandes verdades. Se orgulhava de n&#227;o deixar passar nada. Sequer fazia quest&#227;o de disfar&#231;ar uma cara de desgosto, dar um sorriso amarelo. N&#227;o disfar&#231;ava nem coisas bobas e dizia frases do tipo: &#8220;odiei o restaurante que voc&#234; indicou&#8221;. At&#233; algumas verdades cru&#233;is, como dizer ao estagi&#225;rio que ele n&#227;o tinha condi&#231;&#245;es de ser efetivado e que deveria buscar empregos mais f&#225;ceis. Ela sempre afirmava que as pessoas mereciam a verdade e tinha como prop&#243;sito sempre diz&#234;-la, custe o que custar.</p><p>Amon era sua ant&#237;tese. Ele acreditava que pequenas mentiras s&#227;o a base da nossa sociedade. E, nas empresas, n&#227;o poderia ser diferente. Ora, um &#8220;como esta camisa ficou linda em voc&#234;&#8221;, &#8220;que belo corte de cabelo&#8221;, &#8220;em cinco minutos estou de volta&#8221;, &#8220;vamos marcar um almo&#231;o&#8221;... Aquelas pequenas inverdades que suavizam nosso dia a dia. Ele as usava com desenvoltura em processos corporativos: por exemplo, naquela reuni&#227;o que previa ser o caos, mas dizia a um colega o famoso &#8220;fica tranquilo&#8221;. Ou, talvez um pouco mais grave, aquele indicador em queda que ele n&#227;o tinha coragem de dizer &#224;s pessoas que iria dar problema.</p><p>No caso de Vit&#243;ria, o problema foi aumentando quando ela foi promovida e passou a dar feedback para a equipe. Ficou famosa por, baseada em fatos e verdades, acabar com a autoestima empresarial de todos que passavam por seu caminho. Certa feita, vimos a Cidinha da recep&#231;&#227;o em prantos, repetindo algo como estar numa rela&#231;&#227;o abusiva e que n&#227;o queria voltar para casa, para o marido. Tudo por conta da Vit&#243;ria, que inclusive recomendou que Cidinha sa&#237;sse dali direto para a Delegacia da Mulher e contratasse um advogado. Ela acabou passando no RH e pedindo demiss&#227;o, tamanha foi a vergonha que sentiu.</p><p></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.corporativosanonimos.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! Subscri&#231;&#227;o gratuita para receber novos posts e apoiar o meu trabalho.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O Mentor]]></title><description><![CDATA[Ser mentorado pelo CEO da empresa &#233; o &#225;pice para um jovem talento.]]></description><link>https://www.corporativosanonimos.com.br/p/o-mentor</link><guid isPermaLink="false">https://www.corporativosanonimos.com.br/p/o-mentor</guid><dc:creator><![CDATA[Corporativos Anônimos]]></dc:creator><pubDate>Fri, 19 Sep 2025 11:53:05 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!FhN7!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F12328261-9429-4bc3-933b-84c0923a05c1_1024x1024.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Ser mentorado pelo CEO da empresa &#233; o &#225;pice para um jovem talento. Essa era a denomina&#231;&#227;o para alguns rec&#233;m-formados considerados de muito potencial e que entravam na empresa para terem carreiras turbinadas at&#233; o topo da cadeia alimentar corporativa. Gilberto, presidente da empresa, um executivo muito interessado no desenvolvimento das pessoas se voluntariou para mentorar alguns poucos felizardos.</p><p>Ele tinha uma trajet&#243;ria brilhante. Tamb&#233;m entrou nas categorias de base organizacional, apesar de n&#227;o ser considerado um talento na &#233;poca. Na verdade, n&#227;o se separavam os talentos em outros tempos. Pelo menos n&#227;o formalmente. N&#227;o lembro quando a moda pegou, mas o fato &#233; que, mesmo livre de r&#243;tulos, ascendeu at&#233; a presid&#234;ncia da organiza&#231;&#227;o em anos de trabalho.</p><p>Pois ele me chama para almo&#231;ar e, antes da entrada, lan&#231;a a bomba:</p><p>&#8212; Estou preocupado com este programa de mentorado.</p><p>Pensei comigo: um executivo acostumado a tantos desafios, cen&#225;rios adversos e projetos gigantescos, &#224; frente de uma empresa igualmente grande, estava especialmente preocupado com o programa de mentorados?</p><p>&#8212; N&#227;o sei o que dizer, n&#227;o me prepararam. Pediram para eu focar no exemplo, na trajet&#243;ria. Claro que posso falar de esfor&#231;o e dedica&#231;&#227;o, mas isso eles j&#225; sabem. O resto &#233; sorte, circunst&#226;ncia, destino, sei l&#225;. Isso n&#227;o se ensina.</p><p>Aquilo me chocou. Continuou dizendo que, mesmo sobre sua pr&#243;pria hist&#243;ria, n&#227;o via nada de especial. Confessou o quanto esse pedido de ser mentor o havia surpreendido e o fizera pensar sobre a pr&#243;pria vida. Estava em crise e se sentia sozinho.</p><p>O almo&#231;o acabou, o programa foi para frente. Gilberto foi ficando cada vez mais introspectivo. Sua seguran&#231;a de outros tempos deu lugar a uma profunda crise de confian&#231;a. Apesar dos resultados robustos, dos acionistas satisfeitos, das capas de revistas e das palestras em diversos eventos, ele n&#227;o conseguia identificar um legado. N&#227;o um que justificasse seu t&#237;tulo de mentor.</p><p>Um dos jovens talentos acendeu uma luz no fim do t&#250;nel. Gilberto me chamou para mais um almo&#231;o e, desta vez, estava radiante. A alegria voltara, a confian&#231;a tamb&#233;m. Falava novamente com firmeza sobre sua trajet&#243;ria profissional. O jovem talento lhe confessara que Gilberto era um grande exemplo, que estava marcando sua vida &#8212; n&#227;o s&#243; a profissional.</p><p>O motivo? Gilberto nunca perguntou ou pediu para ele tratar o tic nervoso que tinha. A cada cinco minutos de fala, olhava bruscamente para a esquerda e gaguejava por dez segundos. Por anos ouvira conselhos dos mais diversos para tratar o tic. Gilberto sempre o tratou normalmente, focado em seu desenvolvimento profissional. Na verdade, naturalmente, nunca reparou em tic nenhum.</p><p></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.corporativosanonimos.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! Subscri&#231;&#227;o gratuita para receber novos posts e apoiar o meu trabalho.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Títulos]]></title><description><![CDATA[Tantos sonhos s&#227;o colocados em um diploma.]]></description><link>https://www.corporativosanonimos.com.br/p/titulos</link><guid isPermaLink="false">https://www.corporativosanonimos.com.br/p/titulos</guid><dc:creator><![CDATA[Corporativos Anônimos]]></dc:creator><pubDate>Sun, 14 Sep 2025 17:45:36 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!FhN7!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F12328261-9429-4bc3-933b-84c0923a05c1_1024x1024.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Tantos sonhos s&#227;o colocados em um diploma. Pais que se esfor&#231;aram para dar uma boa educa&#231;&#227;o e fizeram um grande esfor&#231;o financeiro, imaginando o dia em que tudo aquilo se materializasse nesse famigerado peda&#231;o de papel. As hist&#243;rias s&#227;o das mais diversas: alguns diplomas s&#227;o o primeiro de uma fam&#237;lia; outros simplesmente repetem a trajet&#243;ria dos pais &#8212; poder&#237;amos chamar de diplomas tradicionais, quase aristocr&#225;ticos.</p><p>Depois v&#234;m aqueles diplomas fruto do suor tardio da camisa: as p&#243;s-gradua&#231;&#245;es. Alguns, bastante engajados na vida acad&#234;mica, emendam gradua&#231;&#227;o com mestrado e doutorado sem praticamente sair do campus. N&#227;o avistamos essa criatura t&#227;o cedo nas organiza&#231;&#245;es, salvo em raros projetos de parceria. J&#225; no mundo corporativo, o que mais se v&#234; s&#227;o as siglas, em especial o MBA. Este pode ser nacional ou, com pompa e circunst&#226;ncia, obtido em outro continente. A remunera&#231;&#227;o sempre cresce &#8212; e, no caso dos internacionais, cresce de verdade.</p><p>Sempre conjecturei com meus bot&#245;es: o que prova um diploma? Ele abre portas. Um diploma renomado ajuda no come&#231;o da escada organizacional e, mais tarde, pode dar um belo empurr&#227;o, se bem arquitetado. Aumenta muito a empregabilidade, at&#233; o ponto em que tudo passa a depender da entrega efetiva de resultados. Ou seja, pode te levar longe. Mas, voltando &#224;s provas: um bom diploma atesta que a pessoa, ao final da adolesc&#234;ncia, conseguiu ir bem em um exame espec&#237;fico de conhecimentos gerais. Muito bom. Esfor&#231;o e intelig&#234;ncia comprovados.</p><p>E o diploma da p&#243;s-gradua&#231;&#227;o? Este prova iniciativa. Obrigat&#243;rio para os desejosos de crescimento, &#233; mais estrat&#233;gico: pode resgatar um primeiro diploma n&#227;o t&#227;o bom e cacifar para v&#244;os mais altos. Mas bons diplomas continuam a atestar apenas esfor&#231;o, capacidade cognitiva e iniciativa. Falta o diploma de car&#225;ter. Um atestado simples, do tipo: &#8220;essa pessoa &#233; confi&#225;vel, &#237;ntegra e gente boa&#8221;.</p><p>Nem falemos da famosa intelig&#234;ncia emocional, que tamb&#233;m n&#227;o &#233; certificada por t&#237;tulo algum. N&#227;o existe diploma que assegure: &#8220;este indiv&#237;duo n&#227;o surta sob press&#227;o&#8221; ou &#8220;esta pessoa sabe gerir seus sentimentos&#8221;. Talvez o t&#237;tulo mais faltoso seja o de confian&#231;a e simpatia. Por mais que belos quadros das grandes universidades brilhem nas paredes, ainda penso que as habilidades t&#233;cnicas n&#227;o importam mais que as de car&#225;ter. A t&#233;cnica entrega resultados e lucros. Mas &#233; a confian&#231;a e a boa &#237;ndole que aquecem o esp&#237;rito e oferecem o que a epidemia de crise na sa&#250;de mental precisa: amor.</p><p></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.corporativosanonimos.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! Subscri&#231;&#227;o gratuita para receber novos posts e apoiar o meu trabalho.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Abraça Árvore]]></title><description><![CDATA[Termos pejorativos s&#227;o bastante comuns nas organiza&#231;&#245;es.]]></description><link>https://www.corporativosanonimos.com.br/p/abraca-arvore</link><guid isPermaLink="false">https://www.corporativosanonimos.com.br/p/abraca-arvore</guid><dc:creator><![CDATA[Corporativos Anônimos]]></dc:creator><pubDate>Wed, 10 Sep 2025 21:35:23 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!FhN7!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F12328261-9429-4bc3-933b-84c0923a05c1_1024x1024.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Termos pejorativos s&#227;o bastante comuns nas organiza&#231;&#245;es. Melhorou bastante o cen&#225;rio nos &#250;ltimos anos; me parece que a tend&#234;ncia &#233; que eles ainda permane&#231;am, mas restritos a pequenas rodinhas. Aquelas que o pessoal forma no caf&#233; com colegas de estrita confian&#231;a para desancar a empresa, a &#225;rea ou algu&#233;m. Nessas rodas, a Eliene sempre era pauta. Pioneira na sustentabilidade, antes de chamarem a &#225;rea de ESG, o pessoal a elegia como alvo f&#225;cil.</p><p>A&#231;&#245;es como colocar na assinatura do e-mail &#8220;antes de imprimir, pense no meio ambiente&#8221; ou a declara&#231;&#227;o de guerra aos copinhos pl&#225;sticos eram promovidas por ela e prontamente bombardeadas pelos colegas. O famoso apelido de abra&#231;a-&#225;rvore veio com a campanha &#8220;plante uma &#225;rvore&#8221;, quando mudas foram distribu&#237;das pelo escrit&#243;rio. O programa de voluntariado tamb&#233;m n&#227;o teve muito sucesso, pois era aos domingos.</p><p>Ainda assim, Eliene era incans&#225;vel. Nunca vou saber dizer se por genuinidade ou vis&#227;o de longo prazo. Digo isso porque podia prever: quando a empresa foi abrir capital na bolsa, a &#225;rea dela foi uma das mais requisitadas. Era preciso contar uma boa hist&#243;ria de ESG. At&#233; o pessoal do banco de investimento contratado procurava a Eliene. Foi al&#231;ada &#224;s mesas e discuss&#245;es mais estrat&#233;gicas daqueles tempos. Dizem que at&#233; a&#231;&#245;es da empresa ela recebeu no pacote de compensa&#231;&#245;es.</p><p>O relat&#243;rio de sustentabilidade daquele ano foi turbinado, lan&#231;ado at&#233; pelo CEO em pessoa. Eliene passou a dar palestras e a sair em jornais e revistas de tempos em tempos, dando entrevistas. A &#225;rea da Eliene cresceu, virou diretoria, vieram gerentes, coordenadores, muito or&#231;amento. De abra&#231;a-&#225;rvore a talento indispens&#225;vel &#224; corpora&#231;&#227;o. O pessoal do caf&#233; assistiu a tudo falando horrores, mas cada vez mais impressionados com a dimens&#227;o desse abra&#231;o em &#225;rvores.</p><p>As preocupa&#231;&#245;es de Eliene se sofisticaram, como emiss&#227;o de carbono; os eventos tamb&#233;m subiram de patamar e envolviam viagens internacionais para encontros como a COP e confer&#234;ncias na ONU. Mas, num evento interno, a festa de final de ano, Eliene tomou algumas ta&#231;as de espumante a mais. Era para vir de t&#225;xi, por&#233;m estava de carro. No caminho at&#233; sua cobertura, foi acender um cigarro que acabava de comprar numa conveni&#234;ncia. Bateu o carro em um terceiro, nada grave. Rapidamente chamou o advogado da empresa. Ela discutia com o policial quando ele chegou. O caso foi rapidamente abafado. Eu soube. O cafezinho soube. A empresa soube. Ela continuou inabal&#225;vel, abra&#231;ando &#225;rvores.</p><p></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.corporativosanonimos.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! Subscri&#231;&#227;o gratuita para receber novos posts e apoiar o meu trabalho.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O Pai de Narciso]]></title><description><![CDATA[O ambiente de trabalho nunca &#233; suficiente para algumas pessoas que conheci.]]></description><link>https://www.corporativosanonimos.com.br/p/o-pai-de-narciso</link><guid isPermaLink="false">https://www.corporativosanonimos.com.br/p/o-pai-de-narciso</guid><dc:creator><![CDATA[Corporativos Anônimos]]></dc:creator><pubDate>Sun, 07 Sep 2025 14:58:19 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!FhN7!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F12328261-9429-4bc3-933b-84c0923a05c1_1024x1024.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>O ambiente de trabalho nunca &#233; suficiente para algumas pessoas que conheci. Esse era o caso de Narciso. Ele era um cara legal, boa forma&#231;&#227;o acad&#234;mica, acabara de defender a tese do mestrado. Na &#233;poca, morava com os pais, o que me chamava aten&#231;&#227;o, pois estava nos seus 30 e poucos. Encontrava poucas explica&#231;&#245;es, talvez o custo de um im&#243;vel ou a dificuldade de manter uma casa.</p><p>Por falar em custo, Narciso sempre deixava claro que trabalhava quase que por hobby, pois seu pai tinha at&#233; uma empresa familiar para administrar os bens. Numa daquelas sess&#245;es de desabafo do almo&#231;o, algu&#233;m fez o eterno coment&#225;rio de que, se n&#227;o fossem os boletos, j&#225; teria jogado tudo pro alto. Narciso fez quest&#227;o de deixar claro que n&#227;o tinha boletos. Foi imediatamente apelidado de "sem boletos".</p><p>O pai de Narciso tamb&#233;m, segundo ele, j&#225; tinha viajado o mundo todo. Era um colega voltar de uma viagem para o Sri Lanka e j&#225; vinha ele descrevendo como o pai conhecia o local e tinha feito medita&#231;&#227;o transcendental com um mestre iogue. Al&#233;m dessas habilidades orientais, o pai de Narciso tamb&#233;m era um &#225;s da pol&#237;tica, muito bem relacionado, conhecendo secret&#225;rios, ministros, deputados... sempre tinha informa&#231;&#245;es privilegiadas para discutir pol&#237;tica.</p><p>Para completar o pacote, Narciso, durante o mestrado, passou um tempo em Washington em algum desses think tanks refinados, talvez o Banco Mundial, n&#227;o lembro. Ent&#227;o, tudo que faz&#237;amos em nosso humilde departamento era prontamente bombardeado por ele, lembrando que, quando estava nos EUA, tudo era melhor e que j&#225; tinha feito dezenas de vezes algo que s&#243; est&#225;vamos pensando em inovar. Eu sei que &#233; comum essa coisa das pessoas dizerem que no antigo emprego tudo era perfeito e cheio de hist&#243;rias bacanas. Mas, nesse caso, ele caprichava.</p><p>Sempre ficava com a pulga atr&#225;s da orelha. Se o pai era essa sumidade, rico, o emprego anterior era sensacional e ele continuava sem boletos, o que estaria fazendo Narciso por l&#225;? N&#227;o deu tempo de descobrir. Certa feita, Narciso fez algum coment&#225;rio jocoso sobre uma vice-presidente, algo como: ele poderia ter um relacionamento com ela a qualquer momento, se quisesse. Por &#243;bvio, chegou ao ouvido dela e Narciso foi sumariamente demitido. Habilidade pol&#237;tica nunca foi seu forte.</p><p>N&#227;o muito tempo depois encontrei Narciso chorando no vesti&#225;rio da academia. Estava chateado por n&#227;o ter para onde ir profissionalmente. Tamb&#233;m mudara de casa, para uma t&#233;rrea e menor, segundo ele, pois o pai estava com dificuldades de locomo&#231;&#227;o e o aluguel era mais barato. O inacredit&#225;vel foi ouvir dele, pela primeira vez, o quanto gostava do emprego que tinha conosco, como o pessoal era bacana, o clima ador&#225;vel e as perspectivas excelentes. Mas j&#225; era tarde demais.</p><p></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.corporativosanonimos.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! Subscri&#231;&#227;o gratuita para receber novos posts e apoiar o meu trabalho.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[A verdade está no trânsito]]></title><description><![CDATA[Existe uma grande variabilidade de como nos alimentamos no mundo corporativo.]]></description><link>https://www.corporativosanonimos.com.br/p/a-verdade-esta-no-transito</link><guid isPermaLink="false">https://www.corporativosanonimos.com.br/p/a-verdade-esta-no-transito</guid><dc:creator><![CDATA[Corporativos Anônimos]]></dc:creator><pubDate>Thu, 04 Sep 2025 13:12:24 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!FhN7!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F12328261-9429-4bc3-933b-84c0923a05c1_1024x1024.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Existe uma grande variabilidade de como nos alimentamos no mundo corporativo. Alguns comem em cativeiro, levando marmitas. Op&#231;&#227;o tipicamente saud&#225;vel e eventualmente econ&#244;mica, mas que &#224;s vezes tem um custo social de dividirmos com o olfato dos colegas nossas escolhas. Aquela til&#225;pia pode deixar um micro-ondas impregnado.</p><p>Quando o ticket sobra, ou &#233; carregado, l&#225; nos encaminhamos para op&#231;&#245;es mais caras, eventualmente um shopping. Essa era a realidade do Carlinhos. Adorava uma marmita na maior parte do tempo, uma pra&#231;a de alimenta&#231;&#227;o de vez em quando e, em ocasi&#245;es especiais, um restaurante requintado em bairro nobre. Carlinhos tinha rotina e disciplina como sobrenome.</p><p>Cort&#234;s no trato, funcion&#225;rio antigo e prata da casa, o contas a pagar jamais seria t&#227;o eficiente sem ele. Filho da carreira Y, nunca almejou ser gestor, mas sim ser reconhecido como especialista no que faz. Contas a pagar de empresa multinacional exige a disciplina, dedica&#231;&#227;o e honestidade de Carlinhos. Tamb&#233;m sempre evoluindo com MBAs e cursos de especializa&#231;&#227;o.</p><p>Carlinhos era um grande personagem da comunica&#231;&#227;o interna e mentor do programa de est&#225;gio. Um querido, em resumo. Mas algo nos almo&#231;os deixava as pessoas apreensivas com Carlinhos. Nessas ocasi&#245;es especiais dos bairros nobres era necess&#225;rio um deslocamento de carro. Carlinhos fazia quest&#227;o de ir com o carro dele, afinal ele era um feliz contemplado com a vaga interna de garagem, benef&#237;cio orgulhosamente conquistado.</p><p>O problema &#233; que Carlinhos se transformava, sem meias-palavras, num animal dirigindo. Era xingamento a rodo, sem&#225;foros vermelhos vazados, excesso de velocidade, dire&#231;&#227;o perigosa&#8230; Andar com Carlinhos alguns quil&#244;metros era risco de vida. Com o tempo, as pessoas passaram a evitar almo&#231;ar fora com Carlinhos. Mais tempo ainda, e passaram a evitar o pr&#243;prio Carlinhos. Ele precisou se contentar em almo&#231;ar apenas marmitas e sozinho. De prefer&#234;ncia sem til&#225;pia.</p><p></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.corporativosanonimos.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! Subscri&#231;&#227;o gratuita para receber novos posts e apoiar o meu trabalho.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Pets e Afins]]></title><description><![CDATA[Mudan&#231;a &#233; o que Ronaldo mais entendia.]]></description><link>https://www.corporativosanonimos.com.br/p/pets-e-afins</link><guid isPermaLink="false">https://www.corporativosanonimos.com.br/p/pets-e-afins</guid><dc:creator><![CDATA[Corporativos Anônimos]]></dc:creator><pubDate>Sun, 31 Aug 2025 20:37:30 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!FhN7!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F12328261-9429-4bc3-933b-84c0923a05c1_1024x1024.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Mudan&#231;a &#233; o que Ronaldo mais entendia. Desde seus prim&#243;rdios na vida corporativa, assistiu a v&#225;rias. Tinha orgulho de dizer que come&#231;ou no departamento pessoal e assistiu &#224; transforma&#231;&#227;o em Recursos Humanos. Sentia um orgulho &#237;mpar por ter sido parte das grandes revolu&#231;&#245;es do campo.</p><p>Palestrante frequente em eventos e professor convidado de MBAs, Ronaldo era figura carimbada no mundo de gest&#227;o de pessoas. N&#227;o fez um TED Talk por excesso de zelo e alguma timidez. Mas mesmo na trajet&#243;ria de Ronaldo encontramos percal&#231;os.</p><p>Anos atr&#225;s ele resolveu um dilema que daria um nobel da paz. O compliance encasquetou com o Dia das M&#227;es. Diziam que era excludente. Alguns desavisados cancelaram a lembrancinha. Fogo no parquinho: as m&#227;es se revoltaram. Ronaldo entrou em a&#231;&#227;o e tirou de letra com o Dia da Fam&#237;lia. Conseguiu manter a lembrancinha das M&#227;es e ainda colocou no calend&#225;rio uma data inclusiva.</p><p>De quebra, essa solu&#231;&#227;o tamb&#233;m agradou aos pais, que tiveram seu dia mantido. Na celebra&#231;&#227;o de final de ano: na f&#225;brica podia levar c&#244;njuge, no escrit&#243;rio n&#227;o. Ronaldo entra em campo, turbina a celebra&#231;&#227;o da sede e mant&#233;m o c&#244;njuge nas plantas. Um acionista novo implicou com o carnaval, que n&#227;o &#233; feriado e as pessoas folgam. L&#225; vai Ronaldo negociar microcompensa&#231;&#245;es ao longo do ano, e feriado garantido. Tirar o carnaval do pessoal e o acionista novo conheceria a f&#250;ria nacional.</p><p>Por&#233;m, todo guerreiro tamb&#233;m cansa. Os pais queriam levar os filhos para visitar os escrit&#243;rios. Tudo certo, at&#233; que um pessoal lembrou ser pai de pet. Por&#233;m o departamento de sa&#250;de e seguran&#231;a n&#227;o permitiu pets nos escrit&#243;rios. Quase teve paralisa&#231;&#227;o da gera&#231;&#227;o mais nova. Foi um quebra-pau nas redes sociais. Encontrei o Ronaldo abatido depois dessa. Disse que iria fazer um "job rotation". Quando perguntei para onde, respondeu um pouco desanimado:</p><p>&#8211; Vou para o comit&#234; de auditoria e contabilidade.</p><p></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.corporativosanonimos.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! Subscri&#231;&#227;o gratuita para receber novos posts e apoiar o meu trabalho.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[As Férias]]></title><description><![CDATA[Muitas vezes o Instagram parece uma grande vitrine de f&#233;rias.]]></description><link>https://www.corporativosanonimos.com.br/p/as-ferias</link><guid isPermaLink="false">https://www.corporativosanonimos.com.br/p/as-ferias</guid><dc:creator><![CDATA[Corporativos Anônimos]]></dc:creator><pubDate>Thu, 28 Aug 2025 10:48:16 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!FhN7!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F12328261-9429-4bc3-933b-84c0923a05c1_1024x1024.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Muitas vezes o Instagram parece uma grande vitrine de f&#233;rias. Digo isso porque nunca fui do TikTok, talvez precise me atualizar. O pessoal que nunca posta nada passa um final de semana na praia e &#233; um mar de stories e fotos selecionadas. Viagem para a Europa ou Disney, ent&#227;o, e partiu viajarmos juntos. Uma maravilha para quem gosta de acompanhar. Algumas m&#225;s l&#237;nguas dizem que &#233; para gerar inveja. Eu sou partid&#225;rio das boas inten&#231;&#245;es, tendo a achar que as pessoas querem dividir bons momentos e muitos gostam de acompanh&#225;-los.</p><p>S&#243; que no mundo corporativo f&#233;rias s&#227;o reguladas. Aquele seu post bacana sobre a torta de Lyon ou o a&#231;a&#237; de Natal ser&#225; sumariamente julgado. Orlei era mestre em futricar e divulgar f&#233;rias alheias. N&#227;o era do RH, mas conhecia como ningu&#233;m regras de f&#233;rias e quem estava apto a desfrut&#225;-las. Mas, para ele, n&#227;o era um desfrute. Tinha a impress&#227;o de que considerava f&#233;rias um ato de transgress&#227;o organizacional. Como se f&#233;rias fossem crime. Era como eu me sentia quando ele comentava as minhas. Sempre vinha com aquela m&#225;xima:</p><p>&#8211; A&#237; sim, f&#233;rias novamente! Queria eu poder sair esse tanto.</p><p>E ele poderia. A empresa n&#227;o era daquelas t&#243;xicas, pelo contr&#225;rio. At&#233; tinha est&#237;mulo para o descanso, sabidamente associado &#224; boa sa&#250;de mental. Orlei era implac&#225;vel em suas observa&#231;&#245;es, sempre atrelando f&#233;rias a baixo desempenho. Fotos de croissant, poses em monumentos da UNESCO, beijos sob o Cristo Redentor, sobremesas meladas &#8212; nada passava longe dos coment&#225;rios maldosos. Dizendo assim, parece que ele era direto, mas o veneno era suavemente espalhado:</p><p>&#8211; Voc&#234; viu o stories da Fran? Ela n&#227;o tinha f&#233;rias esse ano, acho, e l&#225; estava ela com a filha em Trancoso. Tava feliz, eu tamb&#233;m estaria. Mas a &#225;rea dela est&#225; um desastre, dizem que vai ter cortes.</p><p>Dias desses, entro no Instagram para aquela boa rolada no feed depois do almo&#231;o. L&#225; estava um story do Orlei. Achei curioso, ele nunca posta nada. Cliquei na hora, n&#227;o poderia passar. Pois era um post da filha dele. Nem sabia que tinha uma filha. Era um carrossel feito por uma ferramenta bacana de IA, bem bonito. V&#225;rias fotos de viagens ao longo dos anos e os dizeres:</p><p>&#8211; Voc&#234; vai se recuperar e vamos voltar a viajar como faz&#237;amos quando eu era crian&#231;a e n&#227;o fizemos mais.</p><p>N&#227;o vi mais o Orlei. Era justamente ele quem informava todo mundo do que acontecia. Al&#233;m das viagens, sabia de tudo. Dizem que ele n&#227;o vai voltar.</p><p></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.corporativosanonimos.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! Subscri&#231;&#227;o gratuita para receber novos posts e apoiar o meu trabalho.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O Gringo]]></title><description><![CDATA[Artigos importados eram um luxo para poucos no final dos anos 80 e in&#237;cio dos anos 90.]]></description><link>https://www.corporativosanonimos.com.br/p/o-gringo</link><guid isPermaLink="false">https://www.corporativosanonimos.com.br/p/o-gringo</guid><dc:creator><![CDATA[Corporativos Anônimos]]></dc:creator><pubDate>Sun, 24 Aug 2025 10:43:26 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!FhN7!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F12328261-9429-4bc3-933b-84c0923a05c1_1024x1024.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Artigos importados eram um luxo para poucos no final dos anos 80 e in&#237;cio dos anos 90. Desde coisas bobas, como um videogame, passando por artigos de luxo, como carro importado. Falar ingl&#234;s e ir para Miami tamb&#233;m n&#227;o era algo trivial. E gringos eram vistos com um ar de estranhamento e admira&#231;&#227;o, coisa de turista no Rio de Janeiro. N&#227;o sei como era nas organiza&#231;&#245;es &#8212; ainda n&#227;o estava l&#225; &#8212;, mas chutaria n&#227;o ser muito diferente.</p><p>Quando cheguei no mundo corporativo, o ingl&#234;s de todo mundo j&#225; era dito fluente, ter um videogame novo n&#227;o era privil&#233;gio e as pessoas j&#225; iam para Miami. Ainda assim, gringos expatriados ou colegas que trabalhavam fora j&#225; eram vistos com uma aura de admira&#231;&#227;o. Assim era Victor, um brasileiro que passou alguns anos fora, na matriz, fazendo algo importante. Tanto assim que voltou com a pompa e circunst&#226;ncia do cargo ter LATAM no nome. N&#227;o bastava ser o l&#237;der nacional, mandava mesmo da Am&#233;rica Latina para baixo.</p><p>Isso dava a Victor um status incr&#237;vel. Viajava muito e tinha as melhores hist&#243;rias. Comprava vinho em Santiago, comia a melhor carne de Buenos Aires e ainda conhecia todos os pontos tur&#237;sticos da Cidade do M&#233;xico. Qualquer almo&#231;o com Victor era um mar de hist&#243;rias de viagens. Outra coisa interessante foi que ele foi o primeiro a chamar seus subordinados de time. Antes, as pessoas tinham equipe, mas Victor tinha um time. Express&#227;o importada que pegava super bem.</p><p>Falando em express&#245;es, Victor falava os conceitos importados, cada vez mais presentes ao longo do tempo, com sotaque americano no ingl&#234;s. Um lorde pronunciando Feedb&#225;que, Qui PI A&#237;s, assessment. Outra coisa bacana era quando ele esquecia o termo em portugu&#234;s e falava em ingl&#234;s, perguntando: &#8220;Como se fala isso em portugu&#234;s mesmo?&#8221;. Isso o separava dos reles mortais. Mas o principal era quando receb&#237;amos gente da matriz. Esses gringos eram tratados como deuses. Todo mundo fazia quest&#227;o de dar uma palavra em ingl&#234;s com eles, mostrar a flu&#234;ncia. N&#227;o importava o cargo do gringo, queriam mesmo um happy hour com eles ou discorrer sobre o Brasil.</p><p>Uma vez o Victor recebeu o Mike. Al&#233;m do status de gringo, era consultor. Isso &#233; um combo avassalador. Nada mais pomposo nas corpora&#231;&#245;es do que um cara de fora da consultoria. Sua palavra &#233; praticamente a Palavra do Senhor aqui em terras tupiniquins. A quest&#227;o aqui &#8212; sei que tenho sido apocal&#237;ptico em minhas hist&#243;rias &#8212; &#233; que o gringo consultor veio fazer um downsizing. Al&#233;m do downsizing, esse era LATAM. Victor, como &#233; mesmo que se diz? Foi fired. Mandado embora mesmo. Com cartinha em ingl&#234;s. Puro glamour.</p><p></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.corporativosanonimos.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! Subscri&#231;&#227;o gratuita para receber novos posts e apoiar o meu trabalho.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O Clima]]></title><description><![CDATA[A palavra clima pode ser tantas coisas: um grande Bombril organizacional.]]></description><link>https://www.corporativosanonimos.com.br/p/o-clima</link><guid isPermaLink="false">https://www.corporativosanonimos.com.br/p/o-clima</guid><dc:creator><![CDATA[Corporativos Anônimos]]></dc:creator><pubDate>Thu, 21 Aug 2025 12:52:51 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!FhN7!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F12328261-9429-4bc3-933b-84c0923a05c1_1024x1024.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>A palavra clima pode ser tantas coisas: um grande Bombril organizacional. Ela pode ser da categoria do futebol e da novela, temas que usamos para conversas amenas, e discutir sobre o clima. Se esquenta, se esfria, se chove. Uma maravilha para evitarmos qualquer profundidade nas intera&#231;&#245;es.</p><p>Profundidade essa que nos leva ao segundo uso de clima, se a conversa vai para um tema corporativo mais pesado, ou at&#233; uma pol&#234;mica pol&#237;tica, l&#225; vamos para um clim&#227;o. A sobreviv&#234;ncia de longo prazo no mundo corporativo exige uma habilidade &#237;mpar para evitar o clim&#227;o. &#201; fortemente recomend&#225;vel que, ao come&#231;ar uma discuss&#227;o pol&#234;mica ou polarizada, a pessoa fuja. N&#227;o &#233; covardia ou inapet&#234;ncia; &#233;, de fato, intelig&#234;ncia social.</p><p>E o terceiro uso de clima &#233; o famoso clima organizacional. Aquele conceito abstrato, mas que quase d&#225; para agarrar na pr&#225;tica de t&#227;o pesado que fica na firma. Um bom ou mau clima se sente j&#225; na recep&#231;&#227;o de uma empresa. &#201; dif&#237;cil mudar um clima organizacional, muito dirigente se descabela com o tema. A literatura &#233; farta, os cursos tamb&#233;m, mas a realidade &#233; dura com os gestores. Um clima ruim &#233; duro de salvar e um clima bom &#233; f&#225;cil de estragar.</p><p>O que nos leva ao saudoso M&#225;rcio. Trabalhei com ele alguns anos. Um craque nos climas. Na segunda-feira navegava como ningu&#233;m prevendo como seria o clima da semana. Todos j&#225; separavam suas roupas em acordo com a previs&#227;o dele. Tamb&#233;m era um cara que desarmava qualquer bomba. Discuss&#227;o sobre elei&#231;&#227;o? Modelo econ&#244;mico? Reputa&#231;&#227;o da Diretoria? Qualquer amea&#231;a de clim&#227;o e l&#225; estava M&#225;rcio colocando panos quentes. Por fim, o RH sempre reconhecia M&#225;rcio como um agente do clima, algo como um catalisador de boas vibra&#231;&#245;es. Ele realmente era um cara positivo, fazia bem ao clima organizacional.</p><p>E por que nunca era promovido? N&#227;o sei. Pelas costas, chamavam ele de coisas pesadas como picol&#233; de chuchu, isent&#227;o, inocente, passivo-agressivo e dissimulado. A coisa piorou de dez anos para c&#225;. A meteorologia avan&#231;ou, e no celular as pessoas se informavam sobre o clima. Durante as elei&#231;&#245;es, queriam que M&#225;rcio se posicionasse, sempre causando um clim&#227;o. E o clima organizacional piorou muito, os agentes passaram a ser mal vistos. M&#225;rcio se deprimiu e se afastou. Como uma TV velha, foi desligado. A &#250;ltima not&#237;cia dele que tive foi que passou a cultivar brom&#233;lias e nunca mais quis saber de qualquer clima, seja ele meteorol&#243;gico ou organizacional. </p><p></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.corporativosanonimos.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! Subscri&#231;&#227;o gratuita para receber novos posts e apoiar o meu trabalho.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Eu Sou Liderado]]></title><description><![CDATA[Dos temas mais discutidos no mundo corporativo, arrisco dizer que lideran&#231;a &#233; o destaque.]]></description><link>https://www.corporativosanonimos.com.br/p/eu-sou-liderado</link><guid isPermaLink="false">https://www.corporativosanonimos.com.br/p/eu-sou-liderado</guid><dc:creator><![CDATA[Corporativos Anônimos]]></dc:creator><pubDate>Tue, 19 Aug 2025 01:34:30 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!FhN7!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F12328261-9429-4bc3-933b-84c0923a05c1_1024x1024.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Dos temas mais discutidos no mundo corporativo, arrisco dizer que lideran&#231;a &#233; o destaque. N&#227;o vou aqui fazer muitas hip&#243;teses sobre as raz&#245;es, mas provavelmente porque seja dif&#237;cil e as pessoas t&#234;m dificuldade. De qualquer maneira, existe muito debate e estudo sobre o tema. Ser l&#237;der &#233; algo que, se a pessoa chega l&#225;, com boa vontade ela se capacita.</p><p>Esse &#8220;chegar l&#225;&#8221; &#233; que me intriga. O mundo corporativo em geral &#233; piramidal e hier&#225;rquico. Estou ciente de que existem novos modelos, menos hier&#225;rquicos e mais distributivos. Ainda n&#227;o tive a felicidade de estar nesse lugar. Por ser assim, estatisticamente &#233; mais prov&#225;vel a pessoa ser liderada do que ser um l&#237;der.</p><p>O que me leva ao tema CEO. Vi v&#225;rios artigos sobre como se tornar um, como se portar como um. Entendo que, para ser algu&#233;m no comando de uma empresa, exige preparo e dedica&#231;&#227;o. Me parecem requisitos b&#225;sicos. Mas tamb&#233;m exige uma circunst&#226;ncia, um pulo do gato do destino &#8212; ou poder&#237;amos chamar de um pouco de sorte. Gente preparada e dedicada existe em maior quantidade do que vagas no topo. &#201; simplesmente como a coisa &#233; desenhada. Ent&#227;o, qual a raz&#227;o de tanto curso e discuss&#227;o sobre como se tornar CEO?</p><p>Me parece uma cenoura muito long&#237;nqua para estimular o pessoal ao longo da cadeia. Eu gostaria de ver mais cursos e estudos para liderados. Coisa pr&#225;tica mesmo, do g&#234;nero: &#8220;como lidar com um chefe dif&#237;cil&#8221;, &#8220;como sobreviver num clima hostil&#8221;, &#8220;a arte de ser liderado&#8221;, &#8220;10 coisas que todo liderado deveria fazer&#8221;, &#8220;como ser parte de um time de baixa performance&#8221;, &#8220;recebendo feedback desestruturado&#8221;.</p><p>Entendo que n&#227;o s&#227;o temas atraentes. Falar sobre lideran&#231;a &#233; muito mais interessante. Mas o fato &#233; que, se voc&#234; &#233; um ser humano normal como eu, algumas vezes voc&#234; at&#233; pode liderar, s&#243; que estatisticamente &#233; mais prov&#225;vel que voc&#234; seja liderado. E vai precisar se capacitar para isso. Porque, se depender da lideran&#231;a, at&#233; existem muitos cursos e gente boa. S&#243; que, na vida real, a chance de voc&#234; ser liderado por algu&#233;m sem aquela boa vontade de se preparar &#233; o mais prov&#225;vel. Ou eu que acordei pessimista?</p><p></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.corporativosanonimos.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! Subscri&#231;&#227;o gratuita para receber novos posts e apoiar o meu trabalho.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Paciente Psiquiátrico]]></title><description><![CDATA[Alguns termos s&#227;o bem fortes, e &#8220;m&#233;dico psiquiatra&#8221;, &#8220;rem&#233;dios controlados&#8221;, &#8220;paciente psiqui&#225;trico&#8221; causam impacto nas rodas organizacionais.]]></description><link>https://www.corporativosanonimos.com.br/p/paciente-psiquiatrico</link><guid isPermaLink="false">https://www.corporativosanonimos.com.br/p/paciente-psiquiatrico</guid><dc:creator><![CDATA[Corporativos Anônimos]]></dc:creator><pubDate>Fri, 15 Aug 2025 14:25:38 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!FhN7!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F12328261-9429-4bc3-933b-84c0923a05c1_1024x1024.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Alguns termos s&#227;o bem fortes, e &#8220;m&#233;dico psiquiatra&#8221;, &#8220;rem&#233;dios controlados&#8221;, &#8220;paciente psiqui&#225;trico&#8221; causam impacto nas rodas organizacionais. Arriscaria dizer que s&#227;o at&#233; evitados de t&#227;o fortes. N&#227;o era o caso do Toninho. Ele era de uma sinceridade c&#226;ndida. Seus coment&#225;rios sempre come&#231;avam com &#8220;sendo bem transparente com voc&#234;...&#8221;.</p><p>Nesse mundo p&#243;s-pandemia, em que sa&#250;de mental entrou definitivamente em nossas conversas na empresa, Toninho surfa de bra&#231;ada. Sempre com um m&#233;dico para indicar, um diagn&#243;stico na ponta da l&#237;ngua, um Rivotril para oferecer ou um &#250;ltimo estudo sobre o tema. Por esses tempos eu sobrei na frente dele. Estava uns dias sem dormir. Quem nunca? Ele j&#225; foi &#8220;bem transparente&#8221; comigo e disse que eu deveria me cuidar, que estava claramente estressado.</p><p>Sabe quando algu&#233;m chega em voc&#234; e diz &#8220;nossa, voc&#234; est&#225; meio p&#225;lido&#8221;? Se acontece comigo, na hora come&#231;o a me sentir mal. O Toninho teve esse poder aquele dia. Comecei a ler sobre sa&#250;de mental, efeito do estresse, burnout. Fiquei na d&#250;vida se Toninho me fez um favor, de me fazer refletir sobre a vida, ou se apenas criou um problema que n&#227;o existia. Hoje em dia, quem leva uma rotina sem estresse? Herdeiros, youtubers de sucesso, influenciadores... Dos seres humanos normais, com boletos, no mundo corporativo, sem estresse? T&#244; pra ver.</p><p>Isso me fez olhar para essa psicologia de botequim do Toninho com outros olhos. Me pareceu meio aproveitador. Temas s&#233;rios como a sa&#250;de mental das pessoas, que hoje t&#234;m um holofote maior, tratados pelo Toninho como resfriado. Saudades de quando s&#243; ofertavam aspirina para resfriado. As pessoas, no geral, se portavam como cl&#237;nicos gerais: um Dorflex para a dor nas costas. Ningu&#233;m ousava ser um m&#233;dico especializado, quanto mais um psiquiatra.</p><p>Ent&#227;o, Toninho insistiu comigo. Passado algum tempo, ele disse que meus sintomas pioraram, que eu andava mais quieto e que procurar ajuda era urgente. O RH me procurou. N&#227;o teve jeito: fui ao psiquiatra. Sa&#237; de l&#225; com uma receita e dois comprimidos controlados. Toninho ficou feliz, bradou aos quatro cantos ter ajudado mais um paciente psiqui&#225;trico. Achei pesado, mas tenho dormido melhor.</p><p></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.corporativosanonimos.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! Subscri&#231;&#227;o gratuita para receber novos posts e apoiar o meu trabalho.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Também é Difícil Ser Pai]]></title><description><![CDATA[Nasceram os g&#234;meos e, depois do parto humanizado &#8211; uma ideia bastante interessante para pais de primeira viagem, que n&#227;o vou discutir aqui &#8211; l&#225; vamos n&#243;s ao recursos humanos perguntar sobre a licen&#231;a.]]></description><link>https://www.corporativosanonimos.com.br/p/tambem-e-dificil-ser-pai</link><guid isPermaLink="false">https://www.corporativosanonimos.com.br/p/tambem-e-dificil-ser-pai</guid><dc:creator><![CDATA[Corporativos Anônimos]]></dc:creator><pubDate>Tue, 12 Aug 2025 01:18:46 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!FhN7!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F12328261-9429-4bc3-933b-84c0923a05c1_1024x1024.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Nasceram os g&#234;meos e, depois do parto humanizado &#8211; uma ideia bastante interessante para pais de primeira viagem, que n&#227;o vou discutir aqui &#8211; l&#225; vamos n&#243;s ao recursos humanos perguntar sobre a licen&#231;a. Deveria ter feito isso antes, mas n&#227;o sabia que g&#234;meos t&#234;m pressa de nascer.</p><p>&#8211; Quantos dias tenho para ficar com meus filhos?</p><p>&#8211; Cinco.</p><p>&#8211; Mas eles s&#227;o dois! N&#227;o deveria ser o dobro?</p><p>&#8211; N&#227;o.</p><p>Uma negativa seca como aquela alma que me respondeu. Pelo menos tinha a Betinha, minha parceira de RH que se importava com a causa, mas pouco podia fazer frente &#224; legisla&#231;&#227;o e &#224; pol&#237;tica corporativa da &#233;poca. Emendei f&#233;rias e fomos no melhor modelo "vamo que vamo". Totalizaram uns trinta e tantos dias, que nem vi passar e que deveriam ser muito mais. Muito mais mesmo.</p><p>Minha esposa n&#227;o p&#244;de amamentar e, desde cedo, revez&#225;vamos na mamadeira da madrugada. Preciso dizer que, no outro dia, eu era s&#243; o p&#243;? Quem esteve l&#225; sabe. S&#243; a Betinha me ouvia na empresa. Eu me escondia em salas vazias para dormir e ela segurava as pontas.</p><p>Deus me livre entrar na pol&#234;mica sobre o papel da m&#227;e na cria&#231;&#227;o ou de como &#233; complicado para a mulher. Quem sou eu nessa hist&#243;ria? Chorava quieto no meu canto naquele primeiro ano. Dividia com Betinha a dor da c&#243;lica, n&#227;o s&#243; a do beb&#234;, mas a minha tamb&#233;m, de ver aquelas criaturinhas chorarem e me sentir impotente.</p><p>No meio disso tudo, tinha que manter minha pose de macho alfa corporativo. Promo&#231;&#245;es, b&#244;nus e at&#233; mesmo a perman&#234;ncia no emprego dependiam dessa imagem triunfadora de gestor e pai. Exagero? Talvez hoje. Naqueles anos, s&#243; o ombro de Betinha salvava.</p><p>Depois das mamadeiras e c&#243;licas, a escolinha e os resfriados. Se j&#225; sou meio hipocondr&#237;aco, qualquer 37.5 de febre j&#225; me deixava desesperado, querendo um pronto-socorro. E l&#225; ia Betinha, j&#225; nessa &#233;poca com status de anjo, novamente me acobertar.</p><p>Com o passar do tempo, fui promovido? Fui. Valeu a pena? N&#227;o sei. Aqueles primeiros anos poderiam ter sido mais f&#225;ceis. Nove anos se passaram, recebi meu cart&#227;o virtual de Dia dos Pais da firma e os cart&#227;ozinhos que eles fazem na escola &#8211; agora com letra bonita e menos garranchos. N&#227;o preciso mais fingir que o cart&#227;o &#233; bacana. Tem at&#233; uma mensagem com um &#8220;eu te amo&#8221; que tirou uma l&#225;grima. Ok, valeu muito a pena.</p><p></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.corporativosanonimos.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! Subscri&#231;&#227;o gratuita para receber novos posts e apoiar o meu trabalho.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[A reunião e o Paladino]]></title><description><![CDATA[A reuni&#227;o e o Paladino]]></description><link>https://www.corporativosanonimos.com.br/p/a-reuniao-e-o-paladino</link><guid isPermaLink="false">https://www.corporativosanonimos.com.br/p/a-reuniao-e-o-paladino</guid><dc:creator><![CDATA[Corporativos Anônimos]]></dc:creator><pubDate>Sat, 09 Aug 2025 12:27:36 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!FhN7!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F12328261-9429-4bc3-933b-84c0923a05c1_1024x1024.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>A reuni&#227;o e o Paladino</p><p>N&#227;o h&#225; nada mais longo que uma reuni&#227;o de uma hora. Aquele clich&#234; do &#8220;essa reuni&#227;o poderia ter sido um e-mail&#8221; &#233; dos meus favoritos nas corpora&#231;&#245;es. Gostaria tamb&#233;m de achar a iluminada alma que cravou que todos os presentes na reuni&#227;o devem falar. Por qu&#234;, meu Deus? O sil&#234;ncio pode somar bastante para a sanidade dos participantes.</p><p>Trabalhei com Paladino, uma pessoa fant&#225;stica, pois era Vice-Presidente e tinha horror a reuni&#245;es. Inclusive era mal compreendido por isso, pois as pessoas achavam que ele era rude. Paladino era como o Sr. Saraiva, aquele personagem da Zorra Total (sim, continuo com minhas refer&#234;ncias antigas, desculpem). Uma palavra mal colocada na reuni&#227;o, um argumento sobrando e Paladino era implac&#225;vel.</p><p>As m&#225;s l&#237;nguas diziam ser pela idade dele a impaci&#234;ncia. Puro etarismo, pois qualquer pessoa decente na posi&#231;&#227;o dele faria o mesmo. As reuni&#245;es deveriam ser encaradas pelo que s&#227;o: um desfile de egos. Essa frase n&#227;o &#233; minha; foi proferida por Paladino na abertura de um planejamento estrat&#233;gico. Todos aqueles que adoravam falar abobrinha foram contidos logo na abertura.</p><p>Certa vez, um estagi&#225;rio apareceu no alto de sua inoc&#234;ncia e disse para Paladino que empresas em terras estrangeiras tomavam como boa pr&#225;tica reuni&#245;es em p&#233;, leitura obrigat&#243;ria nos primeiros minutos da reuni&#227;o e proibi&#231;&#227;o de PowerPoint. Foi uma das raras vezes que vimos Paladino sorrir e elogiar novas pr&#225;ticas. O estagi&#225;rio conseguiu elogios de um conservador, um feito e tanto.</p><p>Paladino n&#227;o sobreviveu ao Compliance. Seu estilo pol&#234;mico desencadeou um processo por ass&#233;dio moral. Ele se acumulou a tantos outros de anos anteriores, mas, dessas movimenta&#231;&#245;es pol&#237;ticas, achou-se por bem levar uma den&#250;ncia a cabo e Paladino foi sumariamente aposentado. Sua sa&#237;da foi acompanhada de uma queda incr&#237;vel na produtividade geral. Pior que a queda na produtividade foi o impacto na sa&#250;de mental. Ainda existir&#227;o estudos s&#233;rios sobre como reuni&#245;es afetam a qualidade de vida e causam danos aos seus participantes. No meu caso, se perguntado se prefiro levar uma surra ou ir para uma reuni&#227;o, pergunto na hora:</p><p>&#8212; Quantos v&#227;o me bater?</p><p></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.corporativosanonimos.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! Subscri&#231;&#227;o gratuita para receber novos posts e apoiar o meu trabalho.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Feedback Estruturado]]></title><description><![CDATA[Everson era um cara muito querido na equipe.]]></description><link>https://www.corporativosanonimos.com.br/p/feedback-estruturado</link><guid isPermaLink="false">https://www.corporativosanonimos.com.br/p/feedback-estruturado</guid><dc:creator><![CDATA[Corporativos Anônimos]]></dc:creator><pubDate>Wed, 06 Aug 2025 12:08:24 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!FhN7!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F12328261-9429-4bc3-933b-84c0923a05c1_1024x1024.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Everson era um cara muito querido na equipe. Resultados brilhantes, uma carreira s&#243;lida, constru&#237;da em quinze anos na empresa. Gabaritou nos quesitos de lealdade e entrega na sua jornada corporativa. Tinha a sorte de ser seu gestor. E chegava aquela temporada do ano em que alguns temem, outros aproveitam: a avalia&#231;&#227;o de performance e sua devolutiva, o famigerado feedback.</p><p>Empresa de RH estruturado, daquelas que n&#227;o te deixam na m&#227;o. Existia manual para tudo, instru&#231;&#245;es claras de como avaliar e fazer a devolutiva. Tudo conforme as melhores pr&#225;ticas oriundas das melhores escolas de neg&#243;cio. E, no caso de d&#250;vida, havia algu&#233;m para te ajudar a estruturar.</p><p>Esse ano at&#233; resolvi inovar. Para al&#233;m do apoio do pessoal de Gente &#8212; posso dizer que adoro essa nomenclatura "Gente" &#8212; descobri, nas minhas andan&#231;as err&#225;ticas pelo LinkedIn, prompts para usar na intelig&#234;ncia artificial e simular a entrevista de feedback. Eu precisava daquilo. Ainda que o RH desse todo apoio, dessa vez ia precisar recusar. O que eu precisava dizer ao Everson era segredo. Na verdade, era indiz&#237;vel. N&#227;o havia prepara&#231;&#227;o poss&#237;vel. S&#243; algu&#233;m frio, como o ChatGPT, poderia me ajudar. Ainda assim, usei minha conta pessoal &#8212; n&#227;o queria o menor risco de que isso vazasse.</p><p>Chegou o dia. Poucas vezes tremi. Estava mais nervoso que na entrevista do meu primeiro emprego. J&#225; tinha dado diversos feedbacks ao Everson, todos muito produtivos. Ele tinha um plano de desenvolvimento que estava correndo, performance adequada, enfim, no geral tudo bem tranquilo. Ah, eu disse que o comportamento dele era exemplar? Pois &#233;.</p><p>Mas minhas m&#227;os suavam, meus p&#233;s tremiam e cheguei a gaguejar. Comecei com os cl&#225;ssicos elogios, trouxe v&#225;rios exemplos de entrega acima da m&#233;dia e mostrei seus indicadores sempre em linha com as expectativas. Conversamos um pouco sobre seus pontos de desenvolvimento, como ele poderia se envolver um pouco mais na forma&#231;&#227;o dos profissionais mais novos, ou tentar usar mais as novas tecnologias. Parecia tudo normal, mas n&#227;o estava. O que eu realmente tinha que dizer me martelava. N&#227;o conseguia disfar&#231;ar. Ele percebeu.</p><p>Finalmente, pensei, enquanto ele dizia algo sobre o plano de desenvolvimento: &#233; agora ou nunca! Lembrei de todos os colegas que me exigiram que aquilo fosse dito. Elenquei que todos os esfor&#231;os que Everson fez ao longo dos anos, todos os resultados que entregou, tudo estava sendo colocado em xeque se a situa&#231;&#227;o n&#227;o fosse resolvida. Ainda que n&#227;o tive &#8212; porque n&#227;o entendia como &#8212; apoio do prestativo Recursos Humanos, precisava resolver do meu jeito. Precisava ser jeitoso, precisava ser estrat&#233;gico, precisava ser carinhoso. Mas tudo o que consegui foi apenas interromp&#234;-lo e gritar do fundo do meu cora&#231;&#227;o:</p><p>&#8212; Everson, voc&#234; tem bafo!</p><p></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.corporativosanonimos.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! Subscri&#231;&#227;o gratuita para receber novos posts e apoiar o meu trabalho.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Cultura Organizacional]]></title><description><![CDATA[Sempre fui algu&#233;m que gosta de coisas abstratas.]]></description><link>https://www.corporativosanonimos.com.br/p/cultura-organizacional</link><guid isPermaLink="false">https://www.corporativosanonimos.com.br/p/cultura-organizacional</guid><dc:creator><![CDATA[Corporativos Anônimos]]></dc:creator><pubDate>Sun, 03 Aug 2025 11:03:05 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!FhN7!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F12328261-9429-4bc3-933b-84c0923a05c1_1024x1024.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Sempre fui algu&#233;m que gosta de coisas abstratas. Acho que desde crian&#231;a vivo num mundo de imagina&#231;&#227;o. Nas empresas, &#233; preciso disfar&#231;ar essa subjetividade para atingir KPIs e objetivos concretos. Mas algo fascinante &#233; a cultura corporativa. Tavinho era mestre no tema. De todos os lugares que trabalhei, nos &#250;ltimos anos principalmente, o assunto &#233; recorrente. Tem at&#233; aquela hist&#243;ria de que a cultura come a estrat&#233;gia no caf&#233; da manh&#227;, que Tavinho sempre falava.</p><p>Ele me apresentava declara&#231;&#245;es de empresas de tecnologia que n&#227;o tinham uma estrat&#233;gia clara, apenas uma declara&#231;&#227;o de cultura. Minha subjetividade oculta se sentia vingada frente &#224;queles anos todos de metas duras e n&#250;meros secos. Finalmente, empresas de sucesso se baseavam em sonhos compartilhados. Tavinho era inspirador e trazia luz ao meu cub&#237;culo escuro de planilhas de Excel.</p><p>Certa vez, junto com a implanta&#231;&#227;o de um sistema super complicado, Tavinho come&#231;ou um projeto de gest&#227;o de mudan&#231;a. Na verdade, vou deixar de lado meu preconceito com termos estrangeiros e vou chamar o projeto pelo que ele era: change management. Acho que fica mais em linha com a pompa e circunst&#226;ncia que uma iniciativa desta merece. Nomes tropicais tipicamente n&#227;o s&#227;o associados ao glamour corporativo importado das mais renomadas universidades americanas.</p><p>Fato &#233; que este projeto come&#231;ou com uma bateria de treinamentos bacanas e algo que eu realmente sempre gostei: team building, novamente deixando a l&#237;ngua tupiniquim de lado. O team building est&#225; para as empresas assim como as excurs&#245;es &#8212; ou estudo do meio, como queiram &#8212; est&#227;o para o ensino fundamental. Qual crian&#231;a n&#227;o espera por este momento glorioso da vida escolar? Pois &#233;, qual "colaborador" n&#227;o anseia por um bom team building? Em especial, quando conduzido fora do ambiente de trabalho.</p><p>Nesse ponto, o team building se iguala ao encontro dos executivos, ou l&#237;deres, ou alta administra&#231;&#227;o &#8212; cada lugar tem um nome. Mas este &#233; exclusivo para quem tem cargo de gest&#227;o, tipo um camarote VIP do mundo corporativo. Outro evento que arrasa quarteir&#245;es s&#227;o aqueles de vendas, seja para fomentar as metas, seja para comemorar. Mas, novamente, aqui eles n&#227;o s&#227;o abertos a todos, por isso o team building acaba sendo algo mais democr&#225;tico. Fato &#233; que Tavinho sempre deixou claro que esses eventos nutrem a cultura corporativa, junto com as a&#231;&#245;es de comunica&#231;&#227;o interna.</p><p>Essas a&#231;&#245;es de comunica&#231;&#227;o interna, segundo o mesmo Tavinho, nos "deixam na mesma p&#225;gina". Eu sempre achei que era mais algo como aqueles e-mails com not&#237;cias da empresa ou algum mural na entrada do pr&#233;dio, que hoje &#233; eletr&#244;nico &#8212; uma bela TV gigante com recados. Pura ignor&#226;ncia minha. A comunica&#231;&#227;o interna, nas palavras de Tavinho, nos ajuda a disseminar a cultura e alinha prop&#243;sitos. Ah, o prop&#243;sito... daria um cap&#237;tulo &#224; parte se eu reproduzisse o que Tavinho dizia sobre ele.</p><p>Mas, infelizmente, o final do projeto de change management acabou sendo algo bem tupiniquim. Tavinho foi deixado de lado e entrou um pessoal da pesada, daquelas consultorias mais secas e contratadas por &#225;reas mais duras, como o tal conselho de administra&#231;&#227;o. Toda vez que ou&#231;o conselho de administra&#231;&#227;o, lembro da Sala da Justi&#231;a do desenho. Enfim... mas voltando ao final do projeto, n&#227;o teve nada de cultural. O resultado caiu, o prop&#243;sito foi rapidamente esquecido e o Tavinho, deslocado. Ap&#243;s todos os cortes que fizeram nas estruturas, quem sobrou, com mais trabalho, pegou o que restou da cultura e batizou o projeto pra ficar na hist&#243;ria. O gringo change management virou o brazuca Caveir&#227;o.</p><p></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.corporativosanonimos.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! Subscri&#231;&#227;o gratuita para receber novos posts e apoiar o meu trabalho.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item></channel></rss>