Agentes de I.A.
Agentes de I.A.
O Dino, da Família Dinossauros, teve que levar a sogra para jogar de um penhasco. Ela atingiu a idade em que todos os dinossauros eram jogados do penhasco. Dada a relação Dino-Sogra, a expectativa era que ele faria isso com louvor. O fato é que ele era um grande sentimental e levou a sogra de volta para casa.
O perigo de fazer paralelos com a Família Dinossauro é o mesmo de quando falei para um estagiário: "Bonita camisa, Fernandinho". Ele se chateou, retrucando que o nome dele era Enzo. Claro, culpa minha e das minhas referências do início dos anos 1990. Dizem que essa época voltou à moda. Espero que sim, pois minhas referências modernas são escassas, mas as de 1990 podem me fazer parecer descolado.
Por referências modernas, ou atualidades, sou um usuário pesado de ChatGPT. Hoje não tomo nenhuma decisão sem consultá-lo. Aposentei o Google. Isso me faz sentir menos a sogra do Dino, que será jogada do penhasco, e achar que ainda tenho o que oferecer na arena corporativa. No entanto, esse sentimento passa rápido. Cada vez que leio algo sobre tecnologia, me sinto, na verdade, a sogra.
Não basta saber sobre ChatGPT. É preciso mais. Ser engenheiro de prompt, saber usar um tal "agentic", "python" e sei lá mais o quê. Fora que, volta e meia, vem um comentário apocalíptico de como a inteligência artificial vai roubar meu emprego impiedosamente. Às vezes, alguma boa alma te diz que você não será substituído, mas sobrará tempo para ser mais estratégico.
Eu não sei como seria mais estratégico. Entrego o que me pedem, mas uma I.A. bem treinada ou, sei lá, o tal agente de I.A. pode mesmo fazer o que faço. Dado que não entendo o que é nem o que pode fazer o tal agente, devo ser um alvo fácil. Dizem que se você estiver numa mesa de carteado e não identificar rapidamente quem é o pato, levanta logo porque o pato é você.
Me resta tratar bem o Enzo, pedir desculpas pelas referências antigas. Ele sabe manejar I.A. e deve ir além de bater papo nos prompts. Acho que o Enzo sabe bem o que é o tal agente e como ser estratégico junto com ele. Para além disso, ele deve saber como vou ser substituído e levado para o penhasco corporativo pelos Dinos automatizados. Será que, no momento da verdade, quando o agente estiver para me atirar do penhasco, ele vai ter o "momento Dino" e me salvar? A ver.

