Corrida corporativa
Não lembro direito de física. Tinha aquela equação sobre velocidade, espaço, ida de um lugar ao outro. Apesar disso, tenho ciência de que correr entre baias corporativas deve fazer o dito colaborador chegar poucos segundos antecipado.
No entanto, o Cantonaro sempre corria. Era um Diretor bastante prestigiado na empresa, braço direito do Presidente. Bastava uma chamada da assistente de qualquer Diretor, Vice-Presidente, o próprio CEO ou algo que o valha, e lá estava o Cantonaro correndo.
Achava poucas coisas mais tristes que essa corridinha corporativa. Voltando à física, é a prova de que algumas decisões são realmente irracionais. O Cantonaro colocava sua credibilidade em risco por alguns segundos adiantados.
Outro problema era que ele não era propriamente um atleta. As corridinhas corporativas faziam com que ele chegasse completamente esbaforido na sala de quem o chamou. Por vezes, a camisa não escapava intacta e as marcas de suor deixavam claro o misto de ansiedade e falta de preparo físico.
Porém, o Cantonaro era bastante competente. Entregava o que pediam. Tinha outra função também, tão nobre quanto entregar resultado. Era a diversão do pessoal. As histórias de Cantonaro entretiam a massa tanto quanto conversas sobre futebol ou clima.
Além disso, ele criou alguns corredores corporativos. Com o passar do tempo, passei a observar que mais pessoas praticavam o esporte. De vez em quando, passava um correndo atrás da minha baia.
Da minha parte, nunca fui um grande atleta fora nem dentro do mundo corporativo. Corridinhas não são o meu forte. Fato é que isso atrapalhou bastante minha boa saúde física. Aliado à péssima dieta, me deixou com vários pepinos de saúde para resolver. Agora, será que ser resistente à corrida corporativa atrapalhou minha ascensão na escada hierárquica?
Acho que nunca vou saber. E o Cantonaro? Está super bem no mundo corporativo. Não sei se ainda corre, mas subiu!

