Títulos
Tantos sonhos são colocados em um diploma. Pais que se esforçaram para dar uma boa educação e fizeram um grande esforço financeiro, imaginando o dia em que tudo aquilo se materializasse nesse famigerado pedaço de papel. As histórias são das mais diversas: alguns diplomas são o primeiro de uma família; outros simplesmente repetem a trajetória dos pais — poderíamos chamar de diplomas tradicionais, quase aristocráticos.
Depois vêm aqueles diplomas fruto do suor tardio da camisa: as pós-graduações. Alguns, bastante engajados na vida acadêmica, emendam graduação com mestrado e doutorado sem praticamente sair do campus. Não avistamos essa criatura tão cedo nas organizações, salvo em raros projetos de parceria. Já no mundo corporativo, o que mais se vê são as siglas, em especial o MBA. Este pode ser nacional ou, com pompa e circunstância, obtido em outro continente. A remuneração sempre cresce — e, no caso dos internacionais, cresce de verdade.
Sempre conjecturei com meus botões: o que prova um diploma? Ele abre portas. Um diploma renomado ajuda no começo da escada organizacional e, mais tarde, pode dar um belo empurrão, se bem arquitetado. Aumenta muito a empregabilidade, até o ponto em que tudo passa a depender da entrega efetiva de resultados. Ou seja, pode te levar longe. Mas, voltando às provas: um bom diploma atesta que a pessoa, ao final da adolescência, conseguiu ir bem em um exame específico de conhecimentos gerais. Muito bom. Esforço e inteligência comprovados.
E o diploma da pós-graduação? Este prova iniciativa. Obrigatório para os desejosos de crescimento, é mais estratégico: pode resgatar um primeiro diploma não tão bom e cacifar para vôos mais altos. Mas bons diplomas continuam a atestar apenas esforço, capacidade cognitiva e iniciativa. Falta o diploma de caráter. Um atestado simples, do tipo: “essa pessoa é confiável, íntegra e gente boa”.
Nem falemos da famosa inteligência emocional, que também não é certificada por título algum. Não existe diploma que assegure: “este indivíduo não surta sob pressão” ou “esta pessoa sabe gerir seus sentimentos”. Talvez o título mais faltoso seja o de confiança e simpatia. Por mais que belos quadros das grandes universidades brilhem nas paredes, ainda penso que as habilidades técnicas não importam mais que as de caráter. A técnica entrega resultados e lucros. Mas é a confiança e a boa índole que aquecem o espírito e oferecem o que a epidemia de crise na saúde mental precisa: amor.

